O governo do Irã afirmou nesta terça-feira (23) que não aceitou inspeções internacionais em suas instalações nucleares, contrariando declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do vice-presidente J.D. Vance. A divergência expôs novos obstáculos nas negociações iniciadas após o acordo firmado entre os dois países.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores iraniano, não houve reuniões com representantes da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na Suíça e não existe, neste momento, qualquer plano para permitir vistorias em unidades nucleares afetadas pelo conflito recente com os Estados Unidos.
A resposta iraniana veio após Trump afirmar que Teerã teria concordado com amplas inspeções de seu programa nuclear durante a primeira rodada de conversas realizada no fim de semana. O presidente norte-americano declarou que a continuidade das negociações depende da aceitação dessas medidas e alertou que poderá interromper o diálogo caso não haja entendimento.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, afirmou que as discussões atuais estão concentradas em outros pontos do acordo e ressaltou que questões relacionadas ao programa de mísseis e à capacidade defensiva do país não serão negociadas.
A questão nuclear permanece como um dos temas mais sensíveis no processo de reconstrução das relações entre Washington e Teerã. Entre os assuntos pendentes estão o controle do material radioativo iraniano e a definição de mecanismos de fiscalização internacional.
Os dois governos assumiram o compromisso de buscar uma solução para os impasses em até 60 dias, por meio de novas rodadas de negociações e com apoio de mediadores internacionais.
Em paralelo, o embaixador iraniano na ONU em Genebra, Ali Bahreini, declarou que qualquer nova ofensiva de Israel no Líbano poderá comprometer os avanços diplomáticos. A manifestação ocorreu após relatos de mortes no sul libanês atribuídas a ações militares israelenses.








