Trump quer controlar Ormuz EUA

Trump defende controle americano do Estreito de Ormuz e amplia tensão

Presidente americano diz que os Estados Unidos serão os “guardiões” da passagem marítima e defende reembolso pela operação. Teerã rejeitou a declaração e prometeu reagir a qualquer intervenção.

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Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (13) que pretende assumir o controle do Estreito de Ormuz, em meio à retomada das tensões entre Washington e Teerã. Durante entrevista por telefone ao programa “Fox & Friends”, da emissora Fox News, ele declarou que os EUA passariam a administrar a estratégica rota marítima e deveriam ser compensados financeiramente por isso.

Segundo Trump, os Estados Unidos se tornariam os “guardiões do estreito” e poderiam até ser chamados de “anjo da guarda do estreito”. O presidente também afirmou que o país deveria ser reembolsado por manter a segurança da passagem. Na mesma entrevista, voltou a criticar o governo iraniano e declarou que Teerã descumpriu um acordo firmado anteriormente.

A declaração contrasta com o posicionamento adotado pelo próprio Trump em junho, quando havia afirmado que não haveria cobrança de pedágio para embarcações que utilizassem o Estreito de Ormuz.

A resposta do Irã foi imediata. Em comunicado, o comando militar iraniano afirmou que não permitirá qualquer intervenção dos Estados Unidos na administração da via marítima e advertiu que tentativas de transitar pelo estreito sem autorização iraniana serão fortemente contestadas.

O comunicado também alertou os países da região de que qualquer cooperação com os Estados Unidos será considerada um ato de guerra contra o Irã.

O aumento da tensão ocorre após Teerã anunciar, no sábado (11), o fechamento do Estreito de Ormuz. A informação foi contestada pelos Estados Unidos, tanto por Trump quanto pelo comando militar americano que atua na região.

O anúncio iraniano ocorreu após os Estados Unidos informarem que realizaram ataques contra 140 alvos militares iranianos nas últimas 24 horas, dentro de uma ofensiva que soma mais de 300 alvos atingidos ao longo de três noites. Segundo o Comando Central dos EUA, a operação teve como objetivo responder a ataques iranianos contra embarcações que navegavam pela região.

A Guarda Revolucionária do Irã confirmou ter efetuado disparos de advertência contra embarcações que, segundo o governo iraniano, utilizaram rotas não autorizadas e desrespeitaram ordens emitidas pelas forças militares. Ainda conforme o comunicado, uma embarcação foi detida após comprometer a segurança marítima ao desligar seus sistemas de identificação.

As autoridades iranianas também declararam que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até nova ordem e enquanto durarem as operações militares americanas na região, proibindo a passagem de embarcações.

No domingo (12), os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra alvos iranianos. De acordo com os militares americanos, a ofensiva busca reduzir a capacidade do Irã de atacar navios que transitam pelo estreito.

Em resposta, Teerã lançou ataques contra Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Omã, países que abrigam instalações militares americanas ou desempenham papel estratégico no tráfego marítimo regional.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que “a era dos acordos unilaterais acabou” e declarou que o Irã cobrará consequências caso os compromissos assumidos não sejam cumpridos. O cenário mantém elevada a tensão na região, enquanto os desdobramentos do confronto seguem em andamento.

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