Irã amplia tensão no Golfo

Conflito entre Irã e EUA se agrava após novos ataques no Golfo Pérsico

Retaliação iraniana atingiu instalações militares no Bahrein e no Kuwait, elevando a tensão regional e aumentando a preocupação com o mercado global de energia.

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Foto: Reprodução/Redes sociais

A tensão entre Irã e Estados Unidos voltou a crescer nesta quinta-feira (9), após a Guarda Revolucionária Islâmica lançar ataques com mísseis e drones contra bases militares norte-americanas localizadas no Bahrein e no Kuwait. A ofensiva foi apresentada por Teerã como resposta aos bombardeios realizados pelos Estados Unidos contra alvos no sul do território iraniano na noite anterior.

De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), aproximadamente 90 posições iranianas foram atingidas durante a operação, incluindo sistemas de defesa aérea, depósitos de mísseis, estruturas voltadas ao uso de drones e capacidades navais.

Nos países do Golfo, os sistemas de defesa foram imediatamente acionados. No Bahrein, sirenes alertaram a população para o risco de ataques. No Kuwait, as forças militares mobilizaram baterias antimísseis para interceptar os projéteis. As autoridades orientaram os moradores a permanecerem em locais protegidos e evitarem áreas onde houvesse destroços das interceptações.

A troca de ataques marca o segundo dia consecutivo de confrontos diretos entre os dois países. A escalada começou após Washington afirmar ter respondido a ações iranianas contra petroleiros que navegavam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.

O novo confronto também coloca em dúvida o memorando firmado entre as duas nações em junho, que previa um cessar-fogo de 60 dias para permitir o avanço das negociações sobre um novo acordo. Na quarta-feira (8), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a trégua estava encerrada.

Além das consequências militares, o conflito já provoca impactos econômicos. A instabilidade no Estreito de Ormuz impulsionou os preços internacionais do petróleo. O barril do Brent chegou a US$ 78,01, acumulando alta superior a 5%, após momentos em que a valorização ultrapassou 6%.

Em novas declarações, Trump afirmou que qualquer novo ataque iraniano contra interesses norte-americanos resultará em uma resposta ainda mais intensa. Segundo o presidente, cada ação de Teerã será respondida de forma desproporcional pelos Estados Unidos.

As declarações foram criticadas pelo presidente do Parlamento iraniano e negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, que acusou Washington de romper os compromissos assumidos durante o cessar-fogo. Em manifestação pública, ele afirmou que novas ações dos Estados Unidos terão resposta e voltou a defender a posição iraniana sobre o controle do Estreito de Ormuz.

O atual cenário é resultado de uma sequência de episódios que intensificaram a disputa entre os dois países. Após ataques coordenados realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de fevereiro, as negociações sobre o programa nuclear iraniano perderam força, ampliando as tensões diplomáticas.

A limitação do programa nuclear do Irã permanece como um dos principais pontos de divergência entre Washington e Teerã. O acordo firmado em 2015 previa restrições às atividades nucleares iranianas em troca da redução de sanções econômicas, mas foi abandonado pelos Estados Unidos em 2018. Desde então, o governo iraniano ampliou o enriquecimento de urânio, enquanto sucessivas tentativas de restabelecer um novo entendimento não avançaram.

Nos últimos meses, o conflito também envolveu aliados regionais, incluindo confrontos entre Israel e o Hezbollah, além de ataques envolvendo drones e mísseis em diferentes pontos do Oriente Médio. Apesar da assinatura de um cessar-fogo mediado pelo Paquistão em junho, a retomada das hostilidades amplia a incerteza sobre uma solução diplomática e mantém a comunidade internacional em alerta para os próximos desdobramentos.

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