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“Grafite é hip hop e hip hop é grafite”. Arte está invadindo os muros de Oeiras

Gosto de trabalhar com personagens, trabalhei por muito tempo com personagens femininas tentando buscar a essência da alma feminina, uma coisa mais interna e poética. Meu processo criativo é intuitivo, a ideia vem e eu simplesmente produzo o que está no meu coração. (Rodrigo Lustosa)

Por volta da década de 70 nos Estado Unidos surgia o hip hop, o movimento cultural se tratava de uma reação aos conflitos sociais e violências sofridas pelas pessoas nos subúrbios negros e latinos.  O autor Spensy Pimentel em “O livro vermelho do hip hop” considera que o hip hop é composto por quatro elementos: o MC (Mestre de Cerimônias), que canta o Rap e apresenta as atividades e os shows, o DJ (Disc Jockey), responsável pela música que serve de base para o MC cantar, o Grafiteiro, que expõe suas mensagens nas paredes e o B. Boy, o dançarino.

O grafite consiste em uma intervenção artística com desenhos nas paredes dos espaços públicos das cidades, durante muito tempo a arte foi considerada vandalismo. No Brasil, o grafite chegou no fim de 1970 na cidade de São Paulo.

Um dos adeptos do movimento é o jovem oeirense, Rodrigo Lustosa. Ele conta como começou sua experiência com o grafite. “Comecei no grafite em 2018, mas desde os 14 anos participo do movimento Hip Hop de Oeiras”. Ele explica que foi durante um evento na cidade de Picos que teve seu primeiro contato de perto com a arte urbana e se encantou.

Grafiteiro Rodrigo Lustosa- Arquivo Pessoal

“Eu já dançava popping (estilo de dança urbana), cantava rap, mas não grafitava, só desenhava. Nesse dia cheguei até um grafiteiro que é muito conhecido, o WG e perguntei o que precisaria para eu aprender grafitar, ele disse: você sabe desenhar? Eu mostrei meus desenhos e ele achou incrível: então você já sabe grafitar”.

Assim, Rodrigo deu seu pontapé inicial como grafiteiro, passou a usar o nome artístico “Drigo”, comprou algumas latas de tintas comuns e foi direto para a rua mesmo sem ter muita prática e conhecimento. O seu primeiro grafite foi em Oeiras na Praça da Juventude. “Escrevi bem grande:  MAIS UM DIA”. Desde 2013 o artista trabalha com desenhos, mas em 2018 passou a incluir em seus trabalhos a técnica do grafite e atualmente atua como desinger gráfico e letrista.

Dificuldades

O grafiteiro relata algumas experiências negativas ao logo de sua trajetória poque no início a arte não era bem aceita pela sociedade e pelas academias de arte.

“Já tive alguns momentos em fui abordado pela polícia e sofri alguns constrangimentos, mas, em contrapartida, já houveram policias que pararam para apreciar nosso trabalho. Uma vez o dono de um espaço que pintamos ficou furioso por termos desenhado em um muro sem sua autorização, mas depois de muto diálogo e pedindo para ele não chamar a polícia a situação se tranquilizou”.

Grafite feito por Rodrigo Lustosa- Arquivo pessoal

Outra dificuldade que Drigo enfatiza é o acesso aos materiais específicos para os desenhos, segundo ele o acesso aos instrumentos é difícil e que em Oeiras há uma resistência por parte de algumas empresas em fornecer esses materiais.

Tem espaço para o grafite em Oeiras?

Drigo menciona que a arte urbana ainda é coisa nova na cidade de Oeiras, e lamenta a falta de acesso a uma galeria de arte por exemplo. Ele acredita que o grafite dá a oportunidade de as pessoas terem contato com arte e cultura de perto. “Qualquer pessoa de qualquer idade pode apreciar um trabalho nos muros da cidade”.

Grafite feito por Rodrigo Lustosa no Hospital Regional Deolindo Couto

“Oeiras é uma cidade que ama a arte, já fui em outros estados, mas Oeiras está de parabéns, pois o grafite é muito aceito aqui, talvez por ser algo novo. As pessoas comentam sobre cada trabalho feito e isso é muito enriquecedor e deixa nós como artistas mais empolgadas. Se Oeiras continuar assim um dia acredito que aqui vai ser um referencial no nosso estado”, afirma Rodrigo Lustosa.

Por Sheron Weide 

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