Irã intensifica ataques a navios no Estreito de Ormuz e eleva tensão global

Conflito com EUA e Israel pressiona comércio marítimo e preço do petróleo

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Navio de bandeira tailandesa Mayuree Naree em chamas após bombardeio na região do Golfo Pérsico
Foto: Marinha Real da Tailândia/AFP

As Forças Armadas do Irã ampliaram, nesta quarta-feira, ataques contra navios de carga e petroleiros no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. A escalada ocorre após ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integra a retaliação iraniana aos bombardeios realizados por Israel e forças americanas nos últimos dias.

Pelo menos três embarcações foram atingidas por projéteis durante novos incidentes registrados na região. Segundo a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO), um navio porta-contêineres e dois cargueiros foram atingidos por “projéteis não identificados”. A agência contabiliza ao menos 17 incidentes envolvendo embarcações desde o início da escalada militar no fim de fevereiro.

Um dos ataques ocorreu próximo à costa dos Emirados Árabes Unidos. A UKMTO informou que a tripulação da embarcação atingida permanece em segurança.

Ataques no Estreito de Ormuz ampliam tensão no Oriente Médio

Outro caso envolve um navio graneleiro de bandeira tailandesa, identificado como Mayuree Naree, que foi atacado enquanto atravessava o Estreito de Ormuz. De acordo com a Marinha da Tailândia, 23 tripulantes foram resgatados com o auxílio de forças navais de Omã, enquanto equipes seguem nas buscas por três desaparecidos.

A Guarda Revolucionária do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz para embarcações ligadas ao comércio internacional. O comando militar também assumiu a autoria de dois ataques: um contra o navio tailandês e outro contra uma embarcação de bandeira liberiana que, segundo Teerã, teria ligação com Israel.

Em comunicado divulgado pela televisão estatal iraniana, o comando operacional do Exército declarou que cargueiros e petroleiros associados aos Estados Unidos, Israel ou aliados serão considerados alvos militares.

Além das ações no mar, o Irã informou ter realizado ataques contra uma base de inteligência naval israelense na cidade de Haifa e contra bases militares americanas no Kuwait e no Bahrein.

Preço do petróleo reage à escalada do conflito

A tensão no Oriente Médio voltou a impactar o mercado internacional de petróleo. Nos últimos dias, o barril chegou a se aproximar de US$ 120 em negociações asiáticas.

Na manhã desta quarta-feira, o barril do petróleo West Texas Intermediate (WTI) registrava alta de 5,91%, cotado a 88,38 dólares. Já o Brent do Mar do Norte, referência global, avançava 5,05%, negociado a 92,23 dólares.

Para conter a volatilidade, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou que os 32 países membros liberarão cerca de 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas. A medida é considerada a maior liberação coordenada da história e busca reduzir a pressão sobre os preços da energia.

Analistas alertam que a insegurança no Estreito de Ormuz pode tornar o transporte de petróleo mais caro que o próprio lucro da carga. Estimativas apontam que o Irã possui entre 2 mil e 6 mil minas navais, o que dificultaria qualquer operação de escolta de petroleiros na região.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) também alertou civis iranianos para que evitem portos próximos ao estreito, que estariam sendo utilizados para operações militares.

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