MPF investiga trend nas redes que incentiva violência contra mulheres

Conteúdos viralizados associam recusa feminina a reações violentas

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Ministério Público Federal investiga vídeos que viralizaram nas redes sociais associando recusa feminina a reações violentas.
Foto: Pixabay

O Ministério Público Federal (MPF) abriu, nesta terça-feira (10), uma investigação para apurar a disseminação de vídeos nas redes sociais que incentivam a violência contra a mulher. A apuração envolve a chamada trend “caso ela diga não”, que circula principalmente no TikTok e associa a recusa feminina em interações afetivas ou sexuais a reações violentas.

Nos vídeos, conteúdos apresentados como humor utilizam cenas de agressão física retiradas de jogos eletrônicos, animes ou competições de luta. As imagens aparecem acompanhadas da legenda “quando ela diz não”, sugerindo a violência como resposta a situações como pedidos de namoro ou casamento recusados.

MPF apura responsabilidade de usuários e plataformas digitais

Segundo o procurador federal dos Direitos do Cidadão, Nicolao Dino, a disseminação desse tipo de conteúdo levanta preocupação por contribuir para a normalização simbólica da violência de gênero no ambiente digital.

De acordo com o MPF, a investigação busca identificar responsabilidades de criadores de conteúdo, usuários e das próprias plataformas que hospedam os vídeos. O caso também foi encaminhado ao Grupo de Atuação Especial no Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaccti), que deverá avaliar possíveis implicações na esfera penal.

Paralelamente, o governo federal solicitou esclarecimentos ao TikTok Brasil, que terá prazo de cinco dias para informar quais medidas foram adotadas para conter a circulação dos conteúdos. As autoridades destacam que plataformas digitais podem ser responsabilizadas civilmente caso não removam rapidamente materiais que configurem crime ou incitação à violência.

Casos de violência contra mulheres preocupam autoridades

A investigação ocorre em meio ao aumento de casos de violência contra mulheres no país. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que o Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, número recorde no período entre janeiro e dezembro.

A Polícia Federal também instaurou um inquérito sobre a circulação da trend nas redes sociais. Como resultado das primeiras apurações, alguns vídeos foram removidos e ao menos quatro perfis responsáveis pela disseminação do conteúdo já foram identificados, conforme informou a Advocacia-Geral da União (AGU).

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