Mercados reagem à trégua EUA

Petróleo cai após acordo entre EUA e Irã e bolsas avançam no exterior

Trégua temporária no Oriente Médio reduziu a pressão sobre os preços da energia, impulsionou bolsas internacionais e reacendeu debates sobre juros e cenário fiscal no Brasil.

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reação dos mercados ao fim da guerra entre Irã e EUA
Foto: Montagem

O acordo firmado entre Estados Unidos e Irã para suspender por 60 dias o conflito no Oriente Médio provocou forte reação nos mercados financeiros globais. A principal consequência imediata foi a queda de 4,76% no preço do barril do petróleo Brent, que encerrou o dia cotado a US$ 83,17, no menor nível desde o início das tensões na região.

A redução dos riscos sobre o abastecimento internacional de energia estimulou o avanço das bolsas na Ásia, Europa e Estados Unidos. Em Nova York, os principais índices registraram ganhos expressivos, com destaque para o Nasdaq, impulsionado pelo setor de tecnologia.

No Brasil, porém, o movimento foi mais moderado. O Ibovespa fechou em queda de 0,42%, aos 170.415 pontos, pressionado principalmente pelo recuo das ações da Petrobras e de outras companhias ligadas ao setor de petróleo. Os papéis preferenciais da estatal perderam mais de 5% no pregão.

A desvalorização do petróleo tende a aliviar pressões inflacionárias nos próximos meses, mas analistas avaliam que os impactos da alta acumulada desde o início da guerra ainda permanecem na economia. Além disso, o ambiente fiscal brasileiro continua sendo um fator de preocupação para investidores.

Especialistas apontam que o aumento dos gastos públicos e as incertezas em torno das contas do governo limitam os efeitos positivos do cenário externo sobre os ativos nacionais. Esse contexto também influencia as expectativas para a política monetária e para as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa Selic.

Dados recentes do mercado financeiro indicam elevação das projeções de inflação para 2026 e 2027, além de ajustes nas estimativas para os juros futuros. Apesar disso, a trégua no Oriente Médio reacendeu apostas de novos cortes da Selic ainda neste ano.

Analistas também observam que o fluxo internacional de investimentos tem sido impactado pelo fortalecimento das empresas de tecnologia e inteligência artificial nos Estados Unidos. O movimento tem direcionado recursos para o mercado americano, reduzindo o interesse por ações de países emergentes, incluindo o Brasil.

Mesmo com o alívio proporcionado pelo acordo entre EUA e Irã, economistas avaliam que a normalização dos mercados de energia deve ocorrer de forma gradual. O retorno pleno da navegação no Estreito de Ormuz e a evolução do cenário geopolítico continuarão sendo acompanhados de perto pelos investidores e autoridades econômicas.

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