Segundo as investigações, Vasques saiu de São José, em Santa Catarina, na noite de quinta-feira, utilizando um carro alugado. Ele levava um passaporte paraguaio falso, no qual se identificava como cidadão do país vizinho, além de uma carta em espanhol alegando estar em tratamento contra câncer. O documento mencionava dificuldades de fala e audição e afirmava que o destino final seria San Salvador, em El Salvador, para a realização de um procedimento médico.
Monitoramento falhou e fuga foi detectada pela PF
De acordo com a Polícia Federal, a tornozeleira eletrônica usada por Vasques perdeu o sinal de GPS durante a madrugada e, horas depois, ficou sem comunicação de rede. Quando agentes foram até o endereço do ex-diretor da PRF, ele já havia deixado o local.
Imagens do condomínio mostram Vasques colocando bagagens no veículo, além de itens para animais e um cachorro da raça pitbull, que o acompanhava na fuga. Diante das informações de que ele utilizava documentação falsa, o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva do ex-dirigente.
No momento da abordagem no Paraguai, Vasques apresentou o passaporte falsificado e a carta médica. As autoridades paraguaias confirmaram a irregularidade do documento e efetuaram a prisão no aeroporto.
Condenação no STF e próximos passos
Silvinei Vasques foi condenado no último dia 16 a 24 anos e seis meses de prisão pelos crimes de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A condenação está relacionada à atuação da PRF no segundo turno das eleições de 2022, quando operações em rodovias dificultaram o deslocamento de eleitores em regiões com forte base eleitoral do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente no Nordeste.
Apesar da sentença, os recursos ainda não haviam sido esgotados, motivo pelo qual a pena em regime fechado não tinha começado a ser cumprida. Com a tentativa de fuga, o STF converteu as medidas cautelares em prisão preventiva.
Na tarde desta sexta-feira, uma audiência deverá decidir se Vasques será deportado para o Brasil ou se ficará detido no Paraguai até a conclusão dos trâmites legais. O caso se soma a outros episódios recentes de condenados por crimes contra a democracia que tentaram evitar o cumprimento de pena fora do país.







