Os casos de violência sexual contra crianças e adolescentes praticados no ambiente digital continuam preocupando autoridades em todo o país. Diante desse cenário, a delegada Rafaela Bezerra, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher e aos Grupos Vulneráveis de Parnaíba, orientou pais e responsáveis a redobrarem os cuidados com o uso das redes sociais pelos filhos para evitar o chamado grooming.
Segundo a delegada, o crime ocorre quando um adulto cria perfis falsos ou assume uma identidade diferente para estabelecer contato com crianças e adolescentes. O objetivo é conquistar a confiança da vítima por meio de conversas, demonstrações de afeto e manipulação emocional, facilitando posteriormente situações de abuso ou exploração sexual.
De acordo com a autoridade policial, o processo costuma acontecer em etapas. Inicialmente, o criminoso aproxima-se da vítima em jogos online ou plataformas digitais, oferecendo presentes virtuais e criando uma relação de amizade. Em seguida, intensifica o contato por aplicativos como TikTok e Instagram, curtindo publicações e enviando mensagens frequentes para fortalecer o vínculo. Na fase seguinte, incentiva a criança ou o adolescente a manter a relação em segredo, evitando que pais ou responsáveis descubram a situação.
Rafaela Bezerra destaca que o principal instrumento utilizado pelos criminosos não é a violência física, mas a manipulação emocional. Por isso, ela recomenda que as famílias mantenham diálogo constante com os filhos, acompanhem o tempo de exposição às telas e supervisionem as atividades realizadas na internet.
O alerta ganha ainda mais relevância diante dos números apresentados em estudo divulgado pela UNICEF em março deste ano. A pesquisa aponta que cerca de 19% dos brasileiros entre 12 e 17 anos sofreram algum tipo de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia em um período de apenas um ano, o equivalente a aproximadamente 3 milhões de crianças e adolescentes.
O levantamento, intitulado Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia, foi desenvolvido pelo UNICEF Innocenti em parceria com a ECPAT International e a INTERPOL, com financiamento da Safe Online.
Entre as formas de violência identificadas, a mais recorrente é o recebimento de conteúdos de natureza sexual sem solicitação da vítima, situação relatada por 14% das crianças e adolescentes entrevistados. As autoridades reforçam que a prevenção passa pelo acompanhamento familiar e pela conscientização sobre os riscos presentes no ambiente digital.








